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| História da antiga Fortaleza |
A
antiga Fortaleza e sua evolução Enquanto Capitania, o Ceará não recebia atenção alguma. Sua ocupação de fato foi iniciada por Martim Soares Moreno, o capitão português que serviu de inspiração para um dos personagens centrais do romance "Iracema", de José de Alencar. O local escolhido para a fundação da cidade foi onde, em 1603, Simão Nunes, a mando de Pero Coelho, construiu o Forte de São Tiago, na Barra do Ceará, local onde está edificado o Clube Antônio Bezerra... Existi, ainda, uma polêmica de
muitos anos de que Matias Beck foi o verdadeiro fundador
de Fortaleza. Foi ele quem a fundou no local onde hoje
está erguido o prédio da 10ª Região Militar. Quando, no século XVIII, seu porto
começo a exportar algodão para a Inglaterra, Fortaleza
passou a Ter expressão econômica e, daí em diante, seu
desenvolvimento entrou em rítmo acelerado. Seus
Primeiros Ocupantes Somente em 1603, o açoriano Pero Coelho de Souza, acompanhado de Martim Soares Moreno, veio ao Ceará numa fracassada bandeira, onde ali Martim fez amizade com os índios locais, apredendo os dialetos e familiarizando-se com costumes nativos. Pero construiu o forte de São Tiago, na barra do rio Ceará, ao lado do qual surgiu o povoado de Nova Lisboa. Martim Soares Moreno encontra-se como tenente do forte dos Reis Magos, no Rio Grande, em 1609, fazendo incursões pelo litoral cearense, combatendo traficantes. Em fins de 1611, acompanhado de um padre e de seis soldados, o capitão português Martim Soares Moreno regressou ao Ceará para efetivar a posse da capitania, fundando na Barra do Ceará, com ajuda dos índios de Jacaúna, um pequeno forte - o de São Sebastião - no mesmo local, mais precisamente junto à ermida de Nossa Senhora do Arnparo. A Capitania do Ceará esteve subordinada ao Estado do Maranhão e Grão-Pará, e depois a Pernambuco, além de ter sido alvo da cobiça colonialista européia. Em 1637 chegou ao Ceará a primeira
expedição holandesa, que ocupou o semi-abandonado forte
de São Sebastião, onde permaneceu por sete anos
explorando sal e âmbar gris, até que seus integrantes
foram dizimados pelos índios. 0utra expedição
holandesa, comandada por Matias Beck, desembarcou em 1649
no Mucuripe e construir então o forte Schoonenborch, na
embocadura do rio Pajeú, para defender-se dos nativos
aliados dos portugueses, ali permanecendo também por
sete anos. Assim que os invasores foram expulsos, o forte
foi apropriado pelos portugueses e redenominado de Forte
de Nossa senhora da Assunção. Uma
Vila Inexpressiva A "Planta da Villa", elaborada por Antônio da Silva Paulet em 1818, mostra prédios dispersos nas margens do Pajeú e na "Prainha" (hoje avenida Pessoa Anta) e caminhos que chegavam do interior. Couberam a Silva Paulet a proposta de um novo arruamento para a vila, o projeto e a construção da nova Fortaleza da Assunção. A condição de vila com uma população relativamente expressiva não foi suficiente para garantir a sustentação econômica de Fortaleza, isolada do interior, onde se desenvolvia a chamada civilização do couro e do gado. Dependente de Aracati comercialmente, Fortaleza continuou sem expressão político-econômica até o início do século XIX, época da emancipação do Brasil de Portugal e quando passam a ser criadas as províncias do Império brasileiro, incluindo a do Ceará. Curiosidade histórica:
José Martiniano de Alencar, pai do romancista homônimo,
foi um dos expoentes do movimento pela independência do
Ceará, tendo proclamado a República do Crato em 1817.
Preso pela Coroa Portuguesa, caminhou acorrentado à mãe
e aos irmãos as cem léguas que separavam Crato de
Fortaleza. Uma
gente destemida Outro traço que viria a ser
reconhecido nacionalmente é a bravura do povo cearense.
Dois episódios salientaram tal característica: a
Confederação do Equador (1824) e o movimento
abolicionista , nas décadas de 1870 e 1880. O primeiro
movimento, iniciado em Pernambuco e de tendência
separatista, enfrentou as tropas imperiais de D. Pedro I
e teve grandes heróis cearenses que pereceram durante ou
em decorrência da luta. Quanto à campanha
abolicionista, o Ceará foi a primeira província
brasileira a libertar seus escravos, em 25 de março de
1884, quatro anos antes de a abolição ser oficialmente
decretada em todo o país, em 13 de maio de 1888.
Francisco José do Nascimento, também conhecido como
Chico da Matilde e mais ainda como Dragão do Mar,
liderou a participação dos jangadeiros no movimento
abolicionista. Capital
de fato Tais fatores econômicos foram responsáveis pelo surgimento de uma elite formada notadamente por comerciantes, muitos deles atuando no ramo de importação e exportação, e por profissionais liberais vindos de outras regiões brasileiras e do exterior. Com sua formação de influência européia guiada por ideais de modernidade, esse contingente teve atuação decisiva no ordenamento urbano, construindo novos equipamentos e serviços. Em 1875, o intendente Antonio Rodrigues Ferreira encomendou ao engenheiro pemambucano Adolfo Herbster a elaboração da Planta Topográfica da Cidade de FortaÌeza e Subúrbios, considerada o marco inicial da modernização urbana da capital cearense. Inspirado nas realizações da prefeitura de Paris, então gerida pelo Barão de Haussmann, Herbster dotou a cidade de três bulevares, nas atuais avenidas Imperador, Duque de Caxias e D. Manoel, e estabeleceu o alinhamento de ruas segundo um traçado em xadrez, de forma a disciplinar a expansão da cidade e a facilitar o fluxo de pessoas e produtos. A partir de 1880, a cidade ganhou
novos serviços e equipamentos urbanos, como o transporte
coletivo por meio de bondes com tração animal
(conhecidos como bondes de burros), o serviço
telefônico, caixas postais, o cabo submarino para a
Europa, a construção do primeiro pavimento do Passeio
Público e a instalação da primeira fábrica de tecidos
e fiação. Em paralelo, surgiram os primeiros jornais e
instituições educacionais e culturais. Um
modelo de metropolis Os primeiros automóveis circularam
na cidade em 1910, seguidos da implementação de bondes
elétricos e, posteriormente, registra-se o aparecimento
de ônibus e caminhões. A Praça do Ferreira era ponto
de estacionamento de bondes e de carros de aluguel,
concentrando intenso movimento. Com um crescimento acelerado, Fortaleza, por volta de 1910, exportava pelo porto do Mucuripe matérias-primas de origem vegetal e animal, cera de carnaúba, óleo de oiticica, mamona, babaçu e algodão, peles de animais silvestres e domésticos. Na via oposta, eram importados itens industrializados, máquinas, automóveis, tecidos de lã e linho, ferro, aço, medicamentos, carvão, chumbo e cimento. Também data desse período a construção dos primeiros prédios com mais de quatro andares. Entre 1950 e 1960, a taxa de crescimento foi de quase 100%, revertendo no aparecimento de núcleos absolutamente desprovidos de infra-estrutura básica e espalhados pela periferia. Em vista dessas necessidades emergentes, foram criadas novas divisões administrativas na Prefeitura e numerosas comissões específicas. Migrações internas contínuas entre os anos 60 e 70 geraram o surgimento de favelas e a ocupação de terrenos por pessoas sem-teto. Os conflitos decorrentes fizeram com que o Governo Federal chegasse a intervir no problema e desde então as políticas sociais se constituem em uma das prioridades das sucessivas administrações municipais e estaduais. A grande seca que se estendeu de 1979 a 1984 foi outro fator agravante dos problemas urbanos. Datam desse período os primeiros movimentos organizados de bairros e uma intensificação das ações públicas para reduzir esse quadro. Nos ano 90, Fortaleza se apresenta
como uma das capitais brasileiras mais bem equacionadas e
tornou-se destino altamente requisitado por turistas do
Brasil e do exterior. Sua área urbana de 336
quilômetros quadrados abrange 148 bairros e nove
regiões administrativas. A industrialização vem se
processando em larga escala, o comércio registra intensa
movimentação e todas as atividades envolvendo a
prestação de serviços conhecem tempos prósperos.
Iluminada pelo sol que garante uma temperatura média
anual de 27 graus, refrescada pelo sopro do vento
Aracati, adornada por praias de águas verdes e tépidas,
Fortaleza comprova diariamente que ali, entre suas ruas,
vale a pena viver.
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