O menor Parque Nacional brasileiro está localizado a
noroeste do Estado do Ceará, na região da Serra de
Ibiapaba, no município de Ubajara. Possuindo uma área
de 563 ha e um perímetro de 9.050, o Parque Nacional de
Ubajara é fiscalizado e administrado pelo IBAMA. Foi
criado em 30 de abril de 1959, na presidência de
Juscelino Kubtscheck de Oliveira. (IBAMA, 2000)
O Parque Nacional de Ubajara tem como objetivos a
proteção uma pequena amostra da Floresta
Subcaducifólia Tropical, representativa de serra úmida
em região semi-árida e sua transição até atingir a
Caatinga. A unidade ainda protege afloramentos de rochas
calcárias, bem como grutas encontradas em alguns destes
afloramentos. (IBAMA, 2000)
O principal acesso ao Parque se dá pela Br-222, que liga
Fortaleza-Terezina, até a cidade de Tianguá. Daí,
segue-se pela CE-187 até a cidade de Ubajara, numa
extensão de 17 Km. O Parque fica a 3km do município de
Ubajara, com acesso por uma estrada pavimentada. Já o
acesso feito partindo de Teresina é feito através da
Br-343 até a cidade de Piriri, depois seguindo pela
Br-222 até Tianguá, sendo o restante do percurso igual
ao citado antes. (IBAMA, 2000)
Dessa forma, podemos contar com uma infra-estrutura toda
montada para se ter um melhor acesso ao Parque. Como
mencionada, existem acessos fáceis ao Parque, com
estradas em razoável estado de conservação, excetuando
alguns trechos danificados pelas chuvas. Além disso, há
várias opções de ônibus para Ubajara, tanto saindo de
Fortaleza como de Teresina.
A principal atração do Parque Nacional de Ubajara é a
Gruta de Ubajara. Além dela, também é possível
encontrar cachoeiras e apreciar as diferentes formas de
vegetação, desde a caatinga até a mata úmida.
Aspectos Culturais
e Históricos
A origem do nome Ubajara é indígena, significando
"Senhor da Canoa". O nome teria surgido a
partir da lenda de um cacique que, vindo do litoral e
dono de uma canoa, teria habitado a Gruta de Ubajara por
muitos anos. Logo aí, já se percebe a importância da
água para o local. Além dessa, existem outras
traduções para Ubajara, como "Senhor das
Flechas" e "Flecheiro Exímio".
Os primeiros habitantes da região da Serra de Ibiapaba,
onde está localizado o Parque Nacional de Ubajara, foram
os índios Tabajara. Em 1607, jesuítas de Pernambuco
vieram catequizá-los, mas permaneceram somente até
1661. Foi nesta época em que houve a rebelião que
expulsou padres e soldados.
Em meados do século XVIII, quando o Ceará estava
começando a ser explorado e colonizado, os portugueses
realizaram expedições na região da Ibiapaba em busca
de minérios, pois corria o boato de que havia muita
prata ali. Foi enviada comissão para examinar a tal
jazida, e nada foi encontrado. Desde aquela época é que
se conhece a existência a Gruta de Ubajara, sendo ela um
dos principais locais de exploração.
No início do século XX, a gruta passou a ser utilizada
por romeiros, habitantes da Vila de Araticum. Ainda hoje,
pode-se ver na sua entrada um altar escavado na rocha com
a imagem de Nossa Senhora. De Lourdes.
Acredita-se que a gruta surgiu a partir de escavações
feitas em quase duzentos anos de intempéries, em busca
de prata. Segundo a lenda, galerias subterrâneas da
Gruta de Ubajara chegam até o Parque de Sete Cidades, no
Piauí, a 150 quilômetros dali. A origem e a essência
do Parque sempre foram a gruta de Ubajara, motivo de
apaixonadas crônicas de personalidades locais.
Aspectos Físicos e naturais
O contraste encontrado na região do Parque, em relação
a predominância do sertão no Ceará, é surpreendente
sendo, assim, considerado uma verdadeira ilha úmida. O
IBAMA apresenta os seguintes aspectos físicos que
caracterizam o Parque Nacional de Ubajara:
· Clima. Pode ser
dividido em dois tipos, um úmido e relativamente frio,
de janeiro a junho, e outro seco e quente, que prolonga
de julho a dezembro. As temperaturas estão entre 20 e
22oC na Serra da Ibiapaba e em torno de 24 a 26oC na
depressão periférica.
· Relevo. Composto
por rochas variadas, que criam paisagens morfológicas
diferentes. A "cuesta" da Ibiapaba constitui
uma das mais notáveis feições topográficas do
Nordeste brasileiro pela extensão e continuidade da
escarpa, que acompanha de perto os limites estaduais.
· Vegetação. A
caatinga é a vegetação predominante, mas outras três
são encontradas na região: a Floresta Atlântica, a
Floresta Subcaducifólia Amazônica e o Cerrado. A
caatinga é constituída basicamente de árvores e
arbustos espinhentos, que perdem as folhas na estação
seca, de plantas suculentas espinhosas e de plantas
herbáceas que desenvolvem-se depois das chuvas.
· Fauna. Pobre em
diversidade, o que é típico da região. Somente um
estudo faunístico foi realizado constituindo-se uma
coleção de morcegos na gruta. O mocó é um roedor que
pode ser encontrado na área habitando as rochas e
escarpas, sendo muito caçado pela população regional
que o utiliza como fonte de alimento. Pode-se observar
também outros animais como o macaco-prego, o
mico-estrela, o tamanduá-mirim, a cotia e mais 120
espécies de aves.
Um Ubajara, a mata úmida da serra e seu clima ameno
permitem que a flora e a fauna sejam diferentes das da
caatinga, constituindo um ambiente de transição para
esse ecossistema.
As atrações turísticas do Parque
Um guia lançado pela Horizonte Geográfico, em conjunto
com o projeto Philips Brasilis e o IBAMA, mostra com
detalhes todas as atrações e atividades turísticas que
o Parque Nacional de Ubajara tem para oferecer:
· Trilha Ubajara-Araticum. No total, são 3,5
quilômetros de caminhada leve, que levam à boca da
Gruta de Ubajara. A trilha inicia no Portão Planalto,
passando pela Cachoeira do Cafundó e pelo Rio dos Minas,
que são duas oportunidades para banho. No sentido
portão-gruta, o caminho se inicia na chapada e, depois,
é quase todo declive. Existem ainda dois mirantes
naturais, um na Cachoeira do Cafundó e outro nas
proximidades da Fonte Mijo da Velha, de onde se tem belas
vistas da região.
· Gruta de Ubajara.
É formada por calcário moldado pelas águas
subterrâneas. A caverna possui 1.120 metros de
extensão, dos quais 420 estão iluminados
artificialmente e abertos à visitação. O caverna
contem diversos tipos de espeleotemas (ornamentação das
cavernas). O percurso dentro da caverna tem início na
Sala da Imagem, passando pelo Corredor das Maravilhas, e
pelas salas da Rosa, das Cortinas, dos Retratos, dos
Seios, do ïndio e do Presépio. Para descer até a
principal boca da caverna existem duas opções: pegar a
trilha Ubajara-Araticum ou tomar o teleférico que leva
do planalto à parte baixa.
· Cachoeira do Cafundó.
Está localizada no Riacho Bela Vista, afluente do Rio
Ubajara. Antes da queda maior, forma uma piscina natural
que constitui uma boa oportunidade para se refrescar do
calor. Além disso, oferece um bela vista do Parque. Seu
acesso se faz por um desvia da trilha Ubajara-Araticum.
· Rio das Minas.
Denominação de um dos trechos do Rio Ubajara, no
cruzamento da Trilha Ubajara-Araticum. Possui alguns
poços para banho e está localizado a 500 metros da boca
da Gruta de Ubajara.
· Centro de Visitantes.
Próximo à Portaria Neblina, conta com biblioterca e
sala de vídeo, além de um exposição permanete com
fotos e informações sobre a região.
· Gruta Urso Fóssil.
Fechada à visitação pública, a pequena gruta de
apenas 130 metros é importante devido aos fósseis de
animais encontrados em seu interior.
Um urso em Ubajara
Em 1979, uma
expedição da Sociedade Brasileira de Espeleologia
encontrou um crânio fossilizado de um animal com dois
caninos proeminentes, ao explorar uma das cavernas do
Parque. Sua identificação revelou que o crânio
pertenceu a uma espécie de urso, já extinta na região,
com idade calculada em 10 mil anos. (Horizonte
Geográfico, 2000)
A presença de um urso confirma que a Serra de Ibiapaba
já teve um clima bem mais frio no passado. Parentes
dessa espécie de urso ainda sobrevivem nos Andes. O
local da descoberta passou a ser conhecido como Gruta do
Urso Fóssil. (Horizonte Geográfico, 2000)
Os conflitos e as
problemáticas que afetam a unidade e seu entorno
O Parque Nacional
de Ubajara, como qualquer outro Parque Nacional, tem seus
questionamentos que debatem sobre seu uso como atração
para o turismo. Como os Parques Nacionais foram criados
para um fim de preservação ambiental, será que estará
sendo correto inclui-los na listagem relacionada com o
turismo?
Tudo depende do planejamento adotado para a prática do
Ecoturismo na região. É claro que se houver um bom
planejamento, com todas as regras e bons profissionais
trabalhando na área, nada dará errado. Além disso,
deverá também ter a colaboração dos próprios
turistas, tendo eles a consciência da preservação do
espaço.
A caverna de Ubajara é um dos melhores exemplos de obras
de iluminação mal planejadas e mal executadas, ainda
mais com um dispendioso teleférico completando um acesso
de Primeiro Mundo, mas sem terem sido atendidos
requisitos básicos e anteriores para permitir um
usufruto favorável ao visitante e benéfico ao habitante
da área. (Ecologia, cultura e turismo: Américo
Pellegrini Filho, pp.33-34)
Além disso, existem ainda vários usos conflitantes que
afetam a unidade do Parque e seu entorno, como expansão
urbana em sua direção, insularização, desmatamentos e
queimadas ilegais, caça, lixo urbano e rural, esgotos e
nascentes que drenam para dentro do Parque poluídas e
desprotegidas.
Não podemos esquecer também de que a Gruta de Ubajara
já sofreu muito com visitantes que arrancavam
estalactites (que levam anos para se formar) e pichavam
suas paredes.
Consciência Ecológica
O
que é Ecoturismo ?
O
que são Parques Nacionais ?
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